Matérias
Carnaval da Pesada
|
por Juliana Portella - 11/03/2011
Baixada Fluminense | RJ |
|
|
|
Durante a festa do Rei Momo, enquanto carros alegóricos e fantasias alegravam a folia, enquanto a maioria das pessoas estava em suas casas de veraneio nas regiões praieiras, brincando o carnaval nos blocos de rua do Centro do Rio ou curtindo um carnaval bairrista em sua Cidade, empilhadeiras, braços e pedreiros trabalhavam simultaneamente.
Ninguém pode negar que durante o carnaval tudo para. Repartições Públicas e Instituições de ensino, por exemplo, entram em recesso durante toda a semana. Até comércios e serviços de bancos e casas lotéricas funcionam a partir do meio dia da Quarta-feira de Cinzas. Carnaval é o período que todo mundo quer uma folguinha. Com exceção da Segurança Pública que garante a ordem do carnaval na rua, dos trabalhadores envolvidos na realização do desfile na Sapucaí e em festas de rua pelos bairros a fora e os vendedores ambulantes de bebida que abastecem os foliões, geralmente o restante dos brasileiros não trabalha. Com muita ênfase no geralmente porque pelo Centro de Nova Iguaçu, mais precisamente nos campos de obras da costrução dos novos edifícios que a Cidade ganha, pude observar que as construções funcionam a todo vapor. Foram poucas as obras que pararam durante os quatro dias de folia.
Os prazos de entrega de imóveis precedidos de vendas que crescem a todo vapor aceleram o trabalho nos canteiros de obras. Durante a festa momesca muitos trabalhadores saiam no trio do carnaval da pesada. Bloco para essa galera só aquele de cimento.
O prazo da entrega da obra do Apart Hotel Sanmarino, localizada a Av. Dr. Mario Guimarães, próximo ao viaduto Padre João Mush, no Centro de Nova Iguaçu, que está com data de entrega prevista para o final do mês de março, anda a todo vapor.
Do Engenheiro ao servente, ninguém parou. A construtora Novanil, responsável pela obra, não abriu mão de pagar dobrado o dia de cada funcionário. Muitos trabalhadores preferem trabalhar quando é feriado e fim de semana, exatamente pela compensação salarial. Afinal, a construtora paga o dobro. “Sábado e feriado vale o dobro da diária” afirma o servente Devaldo (28 anos), que não abriu mão de trabalhar nos três dias de folia. Sábado (05/03), segunda (07/03) e terça (08/03). Segundo ele, sua diária corresponde ao valor de 40 reais, R$ 4,40 por hora trabalhada. Durante o sábado e a terça-feira de carnaval, o dobro. “ São nove horas de trabalho. Agora que a obra está sendo concluída eu removo entulho, corto piso e viro massa de gesso para o arremate. São nove horas diárias de trabalho braçal.”
Sendo visível que o folêgo e energia utilizados por um servente de pedreiro não tem compensação salarial a altura, Devaldo afirma que no início de uma obra, seu trabalho é muito mais cansativo. “Quando pego uma obra na fundação (fase inicial), faço escavação de sapatas manual. Viro concreto, faço carregamento de material e outras coisas mais.” Conclui o Servente enquanto peneirava areia.
O trabalho durante os dias de folia não se limitou somente a piãozada. O engenheiro responsável pela obra, Luciano Lucas, dividiu o expediente de sábado com sua estagiária. “Tem que ter alguém no controle das funções, marcando horário de entrega e fazendo cobranças se não a obra não anda”, explicou Lucas. "Vou passar a tarde do meu sábado de carnaval na obra para finalizar dois andares.” Finaliza preocupado com os prazos que tem a cumprir.
Em termos de crescimento a construção civil tem se destacado na Cidade de Nova Iguaçu, principalmente no Centro. Essa sede imobiliária traz consigo o combate ao desemprego. São muitos os Devaldos que, diferente de anos atrás, não estão mais brincando carnaval no bloco dos desempregados. É evidente que o salário não está lá essas coisas, mas pior que passar o carnaval trabalhando é ficar durante a folia sem um tustão no bolso.
Gostou desse conteúdo? Vote e deixe seu comentário!
Se você ainda não é cadastrado, cadastre-se agora.
- Se logue ou se registre para poder enviar comentários












Comentários
Eu não trabalhei durante o Carnaval, mas meu marido trabalhou todos os dias e realmente a compensação financeira vale a pena e nos faz pensar que temos Carnaval todos os anos e que o próximo, quem sabe, poderá ser curtido.