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Em nome do Sagrado, por Kita Pedroza
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por Rodrigues Moura - 15/12/2011
Complexo do alemão | RJ |
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O trabalho de Kita Pedroza “Em nome do Sagrado” foi realizado entre 2009 e 2010 com meninos e meninas nas unidades socioeducativas em cinco Regiões Brasileiras.
No conjunto de números do nosso algarismo, há pessoas que tem fascínio por alguns desses números. Outros, nem tanto. Um deles não só é apenas muito querido, como também é de grande representatividade nos segmentos da vida humana e na natureza. Por exemplo, o número 07 (sete), escrito, tem apenas duas sílabas, mas é muito significativo. Sete são os dias da semana, são sete também as cores do arco-íris, sem contar com as artes contemporâneas modernas, que são sete também. Pois bem, é de uma destas sete artes que vou falar na introdução desta matéria, a fotografia.
Este segmento da arte, sensível e inerente ao ser humano leva-nos a refletir como através de uma câmera fotográfica e de um olhar bem treinado, o(a) artista transforma algo de pouca expressão visual em belas artes, verdades em representação da realidade; profano, em sagrado. Cristina Pedroza de Faria, a Kita Pedroza, é jornalista, antropóloga, fotógrafa e professora. “Em nome do Sagrado” é uma exposição de imagens fotográficas que esteve à mostra no Centro Cultural Justiça Federal Rio de Janeiro.
- Jornalismo: tem como meta levar as informações e notícias dos fatos ocorridos que vão sendo narrados à população em seu cotidiano.
- Antropologia: ciência que busca explicações para o comportamento humano, conflitos e convívio sociais entre os povos.
- Fotografia: registra os acontecimentos históricos em seu devido tempo.
Com base nesta três atividades, a autora deste trabalho poético fala como foi a realização desta obra tão maravilhosa:
“Este trabalho foi resultado de um tema que estava sendo pesquisado pelo Instituto de Pesquisa e Religião (ISER). O tema é como acontecem as ações de grupos religiosos dentro do sistema socioeducativo onde adolescentes cumprem medidas por terem cometido alguma infração à legislação. Eu entrei na pesquisa como integrante da equipe, fiz entrevistas e depois eu passei a fotografar; fui chamada a ver se seria possível a gente ter uma outra dimensão ou outra forma de acompanhar estas atividades.
E eu fotografei no Rio de Janeiro e em outras unidades de regime fechado, pedindo autorização aos grupos religiosos e aos jovens que estavam sendo fotografados. E pouco a pouco fui estabelecendo alguns critérios, ao tempo que a pesquisa estava sendo desenvolvida. Critérios de como fotografar todos os grupos que foram identificados e atuam dentro do sistema e que são voluntários autorizados a entrar, também os que estavam na galeria. Fora isso, eu busquei ter um olhar convincente, conversei com aqueles adolescentes, pois a situação era dramática.
Esses meninos e meninas que estão dentro deste sistema, eles são gente, pessoas. Isto é óbvio. Um óbvio que não é visto por uma série de construção histórica, podemos dizer assim. Existem ideias de que aqueles meninos devem ser punidos de alguma maneira, eles são simbolicamente criminalizados. É uma população que deve ser vista por suas individualidades, cada um lá dentro tem uma história e essa pessoa tem que ser conhecida para que se desenvolva uma metodologia de trabalho que sirva de fato para trazer alguma recuperação para essas pessoas, compreensão do motivo que levaram estas pessoas a estarem ali. A própria Justiça no Brasil, é importante que exista revisão com método de suas próprias práticas no sentido de buscar ter um atendimento mais qualificado no sentido de serem respeitados como quaisquer outras pessoas.
Sagrado, para mim, é algo que vai além da nossa vida cotidiana. É algo que tem importância imensa. Sagrado é uma coisa que deve ser preservada e que também é uma dimensão que, para mim, em particular, tem alguma ligação com a espiritualidade, algo para além deste mundo que a gente conhece. Eu acredito que o Sagrado tem esse tipo de conexão com outros espaços, no sentido figurado. Sagrado é algo muito importante.
Em “Em nome do Sagrado” eu procuro fazer e buscar, em primeiro lugar, melhorar a mim mesma, buscar a compreender a sociedade, olhar para o outro de uma forma a conhecer realidades diferentes e ver se não existe uma melhor que outra. Existem momentos históricos diferentes que a gente tem que aprender a conhecer um pouco mais a nossa história para compreendermos como as coisas ficaram do jeito que estão. E dessa forma, por mim mesma, eu busco transformar o que está a meu alcance. Então, com “Em nome do Sagrado” eu posso contribuir para que as pessoas tenham de forma igualitária os seus direitos preservados”.
Kita Pedroza descreveu com muita propriedade, firmeza e humildade sobre o seu trabalho, dando-nos exemplo de profissionalismo que deve ser seguido por todos que têm o compromisso de levar a sociedade a refletir, cada um sobre si mesmo.
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