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Minorias são maiorias reprimidas
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por Tâmara do Cerrado - 27/05/2012
Complexo do Alemão | RJ |
Nesse sábado (26/05), aconteceu a “Marcha das Vadias” em Copacabana e em Brasília. A Marcha das Vadias nada mais é do que a Marcha dos Direitos, direitos das mulheres que foram historicamente roubados.
A Marcha reuniu centenas lutando contra o estupro de mulheres e meninas. No Brasil são registrados pelo menos 13 casos por dia. A luta também era contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, especialmente no contexto de turismo sexual e mega-eventos; outro drama levantado foi a regulamentação da profissão de prostituta, defendendo que as profissionais do sexo possam exercer esta atividade de forma segura, livre de estigma, da descriminalização e dos abusos cometidos por causa da marginalização, seja por cafetões, milícias, formas policiais e civis.
Além dessas bandeiras, a Marcha levantou outras bem mais polêmicas, por causa da grande parcela religiosa no país, bandeiras pelo fim da homofobia, lesbofobia, transfobia, sexismo e a favor da legalização do aborto. Por quê? Tem como ser contra o aborto e a favor da legalização?
Eu sou contra o aborto porque eu não abortaria. Agora ser a favor de uma lei que obriga todos à viverem como eu vivo, já é demais.
Aborto é crime, mas ninguém é preso por abortar. O que acontece são milhares de mulheres morrendo no Brasil, devido às condições precárias em que são realizadas as interrupções voluntárias de gestações não desejadas. Aborto não é um problema de polícia, aborto é uma questão de saúde pública.
E como no Brasil quem sofre são os mais pobres, essas mortes tem cor e classe social, uma vez que, quem tem mais dinheiro acaba conseguindo abortar em lugares proibidos, mas limpinhos, com médicos e toda condição necessária. Porque essas clínicas existem e estão por toda parte, movimentando muito dinheiro.
A legalização do aborto já existe em países como a França, na qual só é permitido abortar até doze semanas de gestação, a pedido da mulher caso não tenha razões sociais ou econômicas para ser mãe. Está na hora de falarmos abertamente sobre isso no Brasil sem todo esse moralismo e preconceito.
Existem razões para abortar e não dá para dizer que as pessoas só abortam porque não tem condições para criar esse filho. Se fosse assim não teria pobre tendo filho e rico abortando. As questões são inúmeras e bem pessoais, da mesma forma que existem muitas razões para não abortar. Mas a questão não é essa! Não se trata em legitimar ou não essas razões.
Ser a favor da legalização do aborto não significa ser a favor do aborto. Ninguém está pedindo que você seja a favor. Ser a favor da legalização do aborto se trata simplesmente de ser a favor que todas as mulheres, independente de cor ou classe social, tenham seu direito de escolha assegurado pelo Estado.
Meu corpo, minha regra.
Fotos: Thamyra Thâmara
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Comentários
Concordo com vocês meninas. É um assunto bem polêmico, mas precisa ser conversado e considerado na sociedade Brasileira!
beijos
Perfeito: "Meu corpo, minha regra"! Também não acho o aborto uma coisa legal, mas isso não pode ser uma regra imposta de fora.
Sobre o nome da Marcha, não é preciso dizer que ironia não é o forte dos conservadores.
Parabéns Thamyra, as fotos também ficaram ótimas! bjos
Não poderia concordar mais, Thamyra!
De fato, sim, o tema aborto é bastante polêmico, e discutir se ele é imoral/amoral poderia levar eras. Acho que a questão mais importante é a da saúde pública. Mesmo com uma diversidade de crenças e religiões, não tem como evitar as clínicas de abortos. Elas estão por aí e pior: ilegalmente. E muitas mulheres morrem em decorrência das condições sanitárias delas. A legalização seria para regularizar estas clínicas e para dar condições sanitárias para não deixar em risco a vida da mulher que optou pelo aborto.
Outra coisa que acho interessante é a questão do nome "Marcha das Vadias". Muitos acham que é uma auto-desvalorização, mas, para mim, é só uma ironia ao machismo/sexismo. :)