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Por um espírito olímpico sem remoções
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por Paloma Silbar - 31/07/2012
Padre Miguel | RJ |
Neste momento, a Olimpíada é motivo de festa para os londrinos, que esperam colher os frutos econômicos, sociais e culturais do evento. Para muitos cidadãos cariocas, porém, os Jogos Olímpicos está causando dor de cabeça. Desde que o Rio de Janeiro foi eleito para ser a sede da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, moradores de diferentes favelas vêm recebendo uma onda de ameaças de remoções oriundas da Prefeitura. Obras de mobilidade urbana, como as vias "Trans", e a construção de instalações esportivas são as principais justificativas dos órgãos públicos para a retirada dessas comunidades.
Muitas ameaças já se concretizaram. Vila Recreio, Vila Harmonia e Comunidade da Restinga, todas no Recreio, já foram removidas para as obras da Transoeste. A Favela do Sambódromo foi retirada para a ampliação da Marquês de Sapucaí. Na zona norte, a comunidade Vila das Torres deu lugar ao Parque de Madureira, que estará próximo da futura Transcarioca. Em muitos desses casos, o destino das famílias desalojadas são bairros distantes do trabalho e de suas antigas residências.
Em algumas comunidades, porém, o sentimento entre os moradores é de articulação e resistência. O caso mais emblemático é o da Vila Autódromo. A comunidade de Jacarepaguá está situada em uma área de grande especulação imobiliária, próxima à Barra da Tijuca. Nos Jogos Pan-americanos, a Vila Autódromo já era alvo de ameaças, que não se concretizaram. As obras para as Olimpíadas de 2016 iniciaram uma nova sequência de intimidações da Secretaria Municipal de Habitação.
As justificativas mudam todo o momento. A Prefeitura já argumentou pela segurança dos atletas, apesar da comunidade não ser dominada por crime organizado. Também usou o pretexto da preservação das margens da Lagoa de Jacarepaguá, mesmo que a recuperação ambiental seja possível sem a demolição das casas. Segundo o manifesto “Vila Autódromo - Um bairro marcado para viver”, pretende-se conceder 75% da área ocupada hoje pela comunidade para a construção de condomínios de alta renda pelo consórcio Odebrecht - Andrade Gutierres - Carvalho Hosken.
Na quinta-feira, 26 de julho, moradores e movimentos sociais protestaram em frente do Tribunal de Justiça, no centro do Rio. Esta não foi a primeira manifestação pelo fim das remoções no Rio de Janeiro. Na abertura da Rio +20, milhares de pessoas saíram em marcha da Vila Autódromo com destino ao Rio Centro para reivindicar os direitos dos moradores desta comunidade. No site do Portal Popular da Copa, mais de 1800 pessoas já assinaram uma petição contra a remoção da Vila Autódromo.
A Vila Autódromo e outras comunidades do Rio apelam para um espírito olímpico mais justo e democrático: "Que as medalhas entregues aos atletas da Copa do mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016 não sejam cunhadas com o sofrimento e a dor de milhares de famílias expulsas de suas casas e de suas vidas" (Vila Autódromo - Um bairro marcado para viver)
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Comentários
É isso aí Paloma
O povo precisa ser tratado de forma digna
Com respeito e oportunidade, mas infelizmente vemos governantes
preocupados com o Glamour e o retorno financeiro da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Que o nosso sentimento guardado no peito seja de:
Mais Respeito e Dignidade a Periferia...
Palomita, muito boa a matéria! A Providência também entra nessa triste lista.
Beijos!