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Rocinha pacificada e fora da lei

por Cleber Araujo - 08/02/2012
Rocinha | RJ
Quem visita a Rocinha ou corta caminho pela  Estrada da Gávea (principal via de acesso à comunidade, que liga Gávea a São Conrado) para fugir do congestionamento no túnel Zuzu Angel, sai convencido de que a proposta de pacificação do Governo Estadual é um verdadeiro sucesso.
Sucesso realmente é. Tenho certeza que a notícia de pacificação da Rocinha aumentou em muito o ibope das emissoras de televisão e ajudou a vender muitos jornais durante o processo de ocupação; valorizou os imóveis nos bairros próximos a comunidade; além de garantir ao Governador Sérgio Cabral Filho, que está com o filme queimado, uns pontinhos positivos com a população carioca.

Também na comunidade, algumas mudanças foram promovidas com essa ocupação. A principal mudança é referente a ausência de bandidos fortemente armados circulando pela Favela. Com a ocupação militar, as crianças não tem mais como referência de poder e status o bandido e/ou a vida do crime. Claro que não podemos ser hipócritas de afirmar que todos os problemas, referente a criminalidade na Rocinha, estão resolvidos. Mas hoje, o sujeito que trafica na comunidade sobrevive como ratazana escondido nos becos. Não estando exposto com fuzil na mão e com pistola na cintura, deixa de ser referência para as crianças ociosas que fazem dos becos e travessas uma área de lazer.

Só que existe um problema nessa história toda. A proposta de paz prometida aos moradores da Rocinha ainda não aconteceu. Pelo contrário, a falta de segurança está fazendo a comunidade refém do medo. Comerciantes passaram a ser vítimas de assaltos; esfaqueamento parece que virou solução para todas as desavenças (apesar de não se ler nenhuma linha nos jornais dando notícias desses acontecimentos); e disparos efetuados com pessoas feridas – inclusive no último domingo(05/02), que resultou em quatro pessoas alvejadas e que foi destaque nos noticiários – têm tirado o sossego de muitos moradores.

A presença da polícia circulando pela Estrada da Gávea cumpre o objetivo governamental de vender a imagem de uma comunidade pacificada para os visitantes e para a mídia. Para os moradores a rota policial tem que se estender e ser mais efetiva nos becos, principalmente, durante a madrugada para inibir o número crescente de brigas, que tem resultado em diversos esfaqueamentos.

Mais que a presença ostensiva da policia, a Rocinha necessita de politicas públicas que contemplem os seus problemas sociais, em especial no tocante a Educação. Quando os nossos “representantes” políticos investirem corretamente na área de educação(escolas públicas de qualidade, cursos profissionalizantes, salário digno para os professores), poderemos acreditar numa possível pacificação.

* Cleber Araujo é jornalista e morador da Favela da Rocinha.
www.barracoadentro.com


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Comentários

imagem de Renato Oliveira

É, lá na comunidade do Turano também está acontecendo um fenômeno parecido, roubos ás resisdencias dos moradores tem se tornado frequentes. Não podemos mais dormir de portas abertas e nem viajar tranquilo.

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