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Tecnologia, novas mídias, redes sociais. Quando pensamos em cultura digital, quase nunca associamos com favelas e periferias. Ao mesmo tempo, vemos a emergência de...
Ivana Bentes
Rocinha Virtual
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por Landa Araújo - 27/05/2010
Rocinha | RJ |
A Rocinha é citada em vários meios de comunicação e, em plena era digital, pode ser encontrada em muitas referências virtuais. Moradores da comunidade buscam fazer a diferença no mundo virtual através de sites como o Rocinha.org, Rocinhaonline e o site faveladarocinha.com e tiveram a iniciativa de colocar o cotidiano da comunidade para o
mundo.
Claro, que as expressões virtuais não se restrigem aos sites citados nesta matéria. Nós mesmos, do Viva Favela, sempre lembramos a comunidade em nosso conteúdo desde 2001 e esta que escreve a vocês, contribui para um blog na MTV sobre o local.
Basta escrever ROCINHA em um site de buscas, como o Google e pronto!
Há uma infinidade de informações. Dentro da comunidade, projetos sociais como o GBCR (Grupo de Brian Consciente da Rocinha), Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha e o SBR (Skate, Bike e Rollers) fazem parte dos comunicadores virtuais em blogues.
No Orkut, cerca de 814 comunidades (indicativo mutável a todo momento) relacionadas a Rocinha mostram o tamanho da diversificação de uma das favelas mais faladas na mídia e badaladas da internet. O por quê vamos saber agora.
Ocimar Santos é figurinha fácil na Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, e na Lit, pizzaria local. Ele é conhecido por colocar ideias em prática, como no jornal Arte Astral, um dos primeiros da comunidade em 1991. Criador do portal Rocinha.org foi pioneiro no segmento da internet e de acordo com ele, há quase mil páginas, mais de 500 vídeos
e cerca de 10 mil fotos publicadas. “A idéia do projeto já tem mais de três anos, foi necessária uma pesquisa de mercado e estudos básicos relacionados à Internet. No dia 20 de agosto de 2007 a página foi ao ar de forma bem amadora e relativamente descompromissada com o futuro”, relembra ele que comemora a mudança da estrutura do site, ocorrida em fevereiro de 2010: “A idéia de construir um site oficial da Rocinha surgiu da necessidade de contrapor a grande mídia que na maioria das vezes preferia veicular matérias relacionadas à violência ou ao tráfico de drogas. Com toda a sinceridade, o Rocinha.org é a cara do Ocimar Santos (risos), mas, nessa nova fase ele está sendo um cartão de visitas eletrônico da grande comunidade, diverso, polêmico, honesto”, informa Ocimar que relembra: “outra coisa que me impulsionou muito foi a necessidade de utilizar o vasto material que sobrou do extinto tablóide Arte Astral, o primeiro jornal em policromia da história da Rocinha, um projeto meu, que muito me orgulha”.
Outro que segue cheio de planos para a internet é o aluno do 5º período de comunicação, Leandro Lima. Para dar voz às suas idéias, pensou em um jornal, mas devido ao alto custo do material impresso, criou o Faveladarocinha.com, no ar desde agosto de 2009, ele acompanha o cotidiano da comunidade.
O site coordenado pelo jovem, também conta com ferramentas interativas como o twitter, orkut e tem o apoio de uma equipe principiante, a maioria moradores da Rocinha, são eles: Diego Costa, Vania Fernandes, Alexandre Cruz, Flavio Carvalho, Alice Pereira e Marcos Barros - estudantes de jornalismo; Andrezza Souza, estudante de Direito e Julia Campos, estudante de Eng. Florestal da UFRRJ. Dentro de suas pretensões, uma bem parecida com a de Ocimar: dar outra vertente para quem lê: “minha meta é informar tudo sobre a Rocinha e acabar com as notícias das grandes mídias que só falam da comunidade quando há troca de tiros e guerra do tráfico. Esse foi o meu principal ponto. Meu segundo objetivo foi colocar estudantes para praticar o que será de suas futuras profissões. Estes que ainda não tiveram oportunidades em grandes empresas e que estão ganhando experiência no faveladarocinha.com”, diz Leandro que também é blogueiro de plantão.
Foi pensando em um projeto grande que Christian Souza, profissional da área de informática e também morador da Rocinha pensou no Rocweb, onde reúne vários projetos para a internet idealizados por ele, como o rocinhaonline e o guiadarocinha disponíveis desde junho de 2009. Aos 35 anos, ele contabiliza 20 anos de trabalho de webdesign e largou suas outras funções para se dedicar totalmente à construção de seu ideal:
“Sou profissional desta área há muito tempo e comecei com este projeto paralelo ao meu trabalho, meio que experimentalmente. O resultado me agradou tanto que decidi me dedicar cada vez mais ao site. E hoje estou em tempo integral”, diz ele que trabalha junto com a esposa no projeto.
Apesar da maioria dos conteúdos apresentados pelo site ser de outros veículos de informação, o Rocweb também dispõe de colunas para os moradores, como a de Kadinho, que assina a coluna “Qual é a Boa?”, informando a agenda de eventos cariocas; sobre esportes e fitness, por Thiago Collaros e a do apresentador do programa Muvuka (exibido pela TV ROC, para dentro da comunidade), Fernandes Júnior.
Visitas de fora do País
Leandro recebe cerca de 1.200 visitas mensais ao faveladarocinha.com e afirma que a busca por informação vem principalmente de pessoas que não moram no local, as que diariamente dão uma espiadinha: “Tenho acompanhado as estatísticas de visitas por um aplicativo e vejo que o site é bastante visitado por gente que não mora na Rocinha. Inclusive
o público do exterior. Hoje tenho mais visitas dos EUA e Europa do que da própria Rocinha”. O jovem jornalista também conta os lírios de sua iniciativa virtual: “Uma TV da Espanha entrou em contato comigo para uma entrevista, porém não deu andamento. A BBC de Londres já conversou comigo e uma repórter veio me entrevistar. Foi bem legal porque ela ficou muito surpresa com as informações da Rocinha e inclusive, até visitou a comunidade”, completa Leandro.
Christian, não quis informar um parâmetro mensal, mas afirma que de julho a dezembro de 2009, consta no relatório de visitações um total de 1.042.184 páginas visitadas. “As visitas tem aumentado progressivamente. No começo foi difícil, mas os resultados atuais são muitos animadores é só você fazer uma média”, comemora Christian que afirma receber muitos jovens internautas moradores da Rocinha em seu site. “O bom da informática é que ela nos dá números e soubemos que hoje temos cerca de 90% das visitas do estado do Rio de Janeiro, 8% é do resto do Brasil e finalizando 2% é do resto do mundo em 54 países
diferentes”.
Ocimar afirma que atingiu o pico de 22 mil acessos em um único dia depois da reformulação, em fevereiro. Antes das mudanças, contabilizava 500 visitas diárias. ”Quando o site entrou em manutenção esse índice caiu um pouco, pois passei a veicular menos conteúdo em virtude da construção do novo layout”, diz Ocimar que está em parceria com uma empresa de São Paulo para repaginar o Rocinha.Org. “A ‘cara’ do nosso leitor é bem diversificada, e o que mais me impressionou nessa empreitada foi a grande participação de pessoas que não moram na Rocinha. Já recebi inúmeros telefonemas do exterior, mensagens diversas no livro de visitas, emails, etc... Na área restrita, pude ver que a página era acessada até no Azerbaijão”, diz.
Obstáculos para informações ou informações além dos obstáculos?
Apesar das comemorações e dos bons números, todos os três entrevistados esbarram em problemas de verbas e equipe, como diz Christian: “Estamos ainda engatinhando neste projeto, mesmo tendo muitas visitas me falta uma equipe para evoluirmos nesta área, não temos como fazer tudo pela dimensão da Rocinha e pela falta de tempo de minha parte. Para isso, preciso de capital para constituir e remunerar esta equipe, estou buscando isso fora da Rocinha, através de empresas”.
Ocimar acreditou em mais interação de pessoas da comunidade, o que não
aconteceu. Sobrecarregado, chegou a trabalhar 12 horas sem interrupções nas páginas. “Mas acho que valeu muito a pena, pois outros projetos vieram a seguir e hoje a Rocinha está melhor representada na rede mundial de computadores”, afirma ele.
Questionados de como recebem as informações para alimentarem os projetos virtuais, Leandro não pensa duas vezes: “Eu sempre morei na Rocinha e acho isso fundamental para saber tudo que acontece na comunidade. Quando alguém não me fala o que acontece, eu procuro saber tanto no meu trabalho ou com a equipe. Sem falar nas diversas ferramentas na internet que ajudam bastante. Mas evitamos colocar matérias dos outros. Preferimos ir no local e fazer a nossa. Até porque, somos todos estudantes e queremos praticar o que estamos aprendendo”.
Christian diz que a informação chega o tempo todo para ele, batendo em sua porta, no celular e em sua caixa de email. “É impressionante como as informações circulam nesta comunidade”, afirma.
Visitem:
www.rocinha.org
www.rocinhaonline.com.br
www.faveladarocinha.com.br
GBCR: http://gbcrh2.blogspot.com/
Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha:
http://rocinhaludica.blogspot.com/
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Comentários
Adorei a matéria, Landa! Super bem apurada, redigida e fotografada. Valeu!!! Abs.
É interessante a galera se interessar por fazer sites e desenvolver uma internet mais interessante.
Acho isso importante para o Brasil
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