Quando escreveu os versos “Sou história do funk / Isso eu tenho que falar”, MC Galo não estava enganado: aos 36 anos, ele faz parte, sem dúvida alguma, da história do funk no Rio de Janeiro, uma trajetória de sucesso que começou em 1991. Morador da Rocinha, ele ouviu a divulgação do concurso de rap durante um baile na comunidade. No concurso, promovido pela Cash Box, Galo derrotou trinta MCs e teve direito à gravação de um disco.
“Para mim, é uma satisfação estar entre os primeiros funkeiros. Fui o primeiro, não queria ser, Deus que me colocou”, afirma. O “Rap da Rocinha” se transformou em um dos funks preferidos das galeras, e seus versos animaram bailes por todo o Rio de Janeiro. A letra mistura um pedido contra a violência nos bailes - “Olelê, Olalá, a Rocinha pede a paz pro baile não acabar” - e um verdadeiro tour pela Rocinha, citando suas principais vias e localidades e enaltecendo a comunidade: “favela número um, a Roça da Zona Sul”.
Da Rocinha, Galo invadiu outros bailes, fazia shows de segunda a segunda, em diversos lugares no mesmo dia, usando letras conscientes, muitas delas com reivindicações sociais. Militante do movimento funk até hoje, Galo se entristece ao afirmar que o funk não está onde deveria estar: “Pela história do movimento, o funk já deveria estar na televisão, mas não tem união, não tem disciplina, é só manipulação”.
Para o MC, a falta de união faz com que o funk ainda seja perseguido. “Passei por um momento vergonhoso de ser preso por cantar funk. Mas tirei muitas coisas disso, fiz várias letras. O funk ainda é perseguido porque é cada um por si, e assim não teremos nunca liberdade de expressão”. Em liberdade, Galo consegue viver só de funk – “Viajo muito. Até hoje. Vitória, Minas...”. Mas sempre volta para a maior favela da América Latina.






















Canta muito...é a história viva do Funk....