O talento de Dida Nascimento foi cultivado no quintal da casa de seus pais, em Belford Roxo. O local, um centro cultural que reunia músicos e artistas nos intervalos de aulas de alfabetização para adultos, se tornou um marco para o movimento reggae na Baixada Fluminense, região onde, segundo Dida, o reggae surgiu naturalmente, a partir da influência da música nordestina.
“Tocava bateria na adolescência e comecei a fazer algumas melodias, mas não tinha noção de que era reggae”. A identificação veio quando sua banda, a KMD-5, estourou na Rádio Fluminense, em 1984. “As pessoas que tinham mais conhecimento nos identificaram como uma banda de reggae. Não tínhamos pretensão de fazer reggae como o da Jamaica, queríamos falar das dificuldades do bairro onde vivíamos”.
O Centro Cultural Donana passou então a ser uma referência para as bandas iniciantes. “De 87 a 89, quatorze grupos freqüentavam o estúdio que tínhamos no quintal, e fazíamos eventos que chegavam a reunir 10 mil pessoas na rua”, relembra Dida. “Nos anos 90, com a gravação do primeiro disco do Cidade Negra, vimos que o sonho podia se tornar real, que poderíamos melhorar a vida das nossas famílias”.
A banda de Dida mudou de formação e passou a se chamar Negril, lançando o primeiro álbum em 1996, e o segundo em 1999, este produzido por Herbert Vianna. O grupo se apresentou nos principais palcos do país, inclusive no Rock in Rio III. Mas o centro cultural fechou as portas, e ficou parado um longo tempo. Há dois anos, Dida decidiu retomar as atividades. “Estamos tentando reviver os velhos tempos”.
Hoje o Donana oferece aulas de violão, percussão, teoria musical, dança e capoeira, maculelê e samba de roda. Dida está se organizando para reunir bandas novamente no espaço e realizar eventos. “É isso que nos mantém vivos. Tantas pessoas talentosas passaram por aqui... É uma batalha e tenho muita vontade de proporcionar a novos músicos um caminho para trilhar suas carreiras”.




















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