Conheci a advogada Edwiges Tomaz em um encontro de trabalho do Viva Favela, para discutirmos uma proposta de parceria em uma idéia dela que ainda não se concretizou – mas se concretizará, tenho certeza. Meses depois, vi Edd Wheeler em cima do palco, no show de 10 anos do Viva Favela no Circo Voador. “Nossa, ela se transforma. Não é a Edd que conheci, não”. Mas ela nega. “Não há diferença entre a Edwiges e a Edd”.
“A Edwiges e a Edd, em termos de idéias, o que coloca nas letras, é a mesma coisa”, afirma, em uma entrevista por telefone às nove da noite, horário em que eu finalmente consegui que ela parasse para falar comigo. E que postura é essa, colocada nas letras e mostrada no palco? “A música é um canal aberto e direto para conseguir colocar na cabeça dos jovens uma reflexão. Não queremos levar uma proposta negativa, mesmo deixando claro que conhecemos os problemas. Queremos levar uma idéia de auto-estima, valorização, persistência, de que não se pode desistir”.
A persistência de Edd no movimento do hip hop feminino levou à Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop (FNMH2), um trabalho coletivo de ativistas de todo o país com o objetivo de inserir as mulheres na cultura hip hop. “Somos b-girls, grafiteiras, MCs, escritoras. Fizemos uma carta de intenções, para articular o movimento em todo o país. Fazemos workshops, oficinas, com temas como violência doméstica, aborto, mulheres falando para mulheres, e tentamos conseguir apoio e patrocínio para estas meninas”.
No palco, toda esta luta, de ativista e da rotina dupla, se mostra na voz de Edd Wheeler. “Fico muito feliz ao ver todo o processo realizado, finais de semana perdidos fazendo base, mais a letra, ver a qualidade depois de tanto ensaio, isso é o que tento passar no palco”. E ela consegue, com certeza.






















Etá mulher guerreira!! Essa é a Edd! Tamu Juntas. Saudades Mil!!