Morador de vários lugares durante sua carreira e atuante como músico, cantor, diretor, ator e editor de vídeos, MC Kapella é um sujeito do mundo, e das artes. Sua trajetória no hip hop começa em Vitória, no Espírito Santo, em 1996. “Ali foi a primeira música, o primeiro show, o primeiro estúdio, o primeiro filho. Vitória tem uma importância muito grande em minha vida”. Após seis anos na capital capixaba, Kapella veio para Mesquita, onde ficou cinco anos e impulsionou o hip hop na região.
“Por volta de 2000, resgatei muitos grupos que estavam parados, mais de 60. Andava junto de vários deles, como o Vozes do Gueto, e levava para os shows, cantava junto”. Esta fase durou até 2006, quando Kapella foi trabalhar com o MC Catra e morar no Cachambi; dois anos depois, se mudou para o Recreio, e há um ano, voltou para Mesquita, que encontrou um MC diferente.
“Minhas letras eram bem reais, falavam do cotidiano, das drogas, crimes, polícia, mas meus filhos passaram a entender e vinham me perguntar: ‘Papai, você diz que é bandido, mas você é bandido?’. E tentei explicar que não, mas o sistema nos chama assim. Também fui chamado para cantar em uma creche, e vi que tinha que amenizar as letras. Hoje tento ensinar as pessoas a viverem em comunidade, quase um manual de sobrevivência. Também inseri minha vida boêmia, o amor, o romantismo”, explica.
Ao mesmo tempo em que procura reestruturar os grupos de hip hop da região, disponibilizando o estúdio para gravações, Kapella mobiliza novos grupos em torno de produções audiovisuais. “Dirigi um curta-metragem só com atores de Mesquita, o Armas e Microfones. Estou trabalhando com edição, efeitos especiais, e atuando. Já fiz pontas em novelas, filmes, estou tentando tirar registro de ator. E acho que no próximo filme vou mobilizar ainda mais a comunidade, eles estão empolgados”, afirma.
O diretor-editor-ator Kapella ainda possui uma marca de roupas, que está estruturando. Quando perguntado se consegue dar conta de tudo, ele diz que não, mas continuará sendo um cidadão de muitas artes. “A música é o lado mais sério, mas acho que vou me concentrar no audiovisual. Os diretores me elogiam muito como ator. Então seria a música, e o audiovisual. Mas queria estruturar a marca de música para colocar outra pessoa para gerenciar. A música, o audiovisual e a marca. Acho que é isso”.





















Maximo Respeito ...