Uma composição sua é gravada por uma famosa cantora baiana e se torna hit no Carnaval de Salvador; depois vira música de abertura de um seriado na maior rede de televisão do Brasil. Muitos compositores poderiam considerar estas marcas o auge de uma carreira de 25 anos, mas Robson Pacífico, com tanto poder quanto a mulher retratada em Dona da Banca, diz que não: “Acho que ainda pode haver outros auges”.
“Dona da Banca não foi meu auge como compositor, como artista. Em termos de reconhecimento, sim. Saí do anonimato absoluto. Mas ela é uma música. Tem coisas que acho mais válidas, mais bonitas. Não dá para resumir tudo em uma música”, diz este morador da Rocinha, de 47 anos. Aos 18, Robson começou a tocar percussão, talento que o levou a boa parte do Brasil e a passar uma temporada no Japão.
Em 2003, sua música Dona da banca, em parceria com Aleh Ferreira, foi gravada pelo grupo Eletrosamba e passou a tocar nas noites cariocas. Em um show do grupo no Circo Voador, a cantora Daniela Mercury ouviu a música e gostou tanto que pediu para gravar. Faixa do CD Eletrodoméstico, a música estourou no Carnaval de Salvador e foi parar na abertura do seriado A Diarista, da TV Globo. “A ideia era falar do poder das mulheres em todas as esferas; ela manda no mundo, mas não sabe. Acho que Deus é mulher. Ela é quem manda no jogo, no jogo da vida, no jogo com os homens”, ressalta.
Robson deixou de ser “um guerreiro de estrada” há cinco anos. “Não parei; é uma filtragem. Não estou fora, nem estou dentro”. E este afastamento tem nome: seu filho, Rômulo, hoje com 8 anos. “A vida noturna não condizia com a criação do meu filho. Mas ele sempre ouviu dizer que o pai dele era isso, era aquilo. E só este ano, na festa de 10 anos do Viva Favela no Circo Voador, ele me viu em um palco, fazendo um show, e viu que o pai dele era realmente aquilo que os outros diziam”.
Atualmente, ele mantém sua oficina de instrumentos de percussão, dá aulas de percussão em escolas públicas e participa do Centro de Cultura Lúdica da Rocinha, através do qual leva a experiência de morar na Rocinha a outros projetos e lugares. “Eu respiro a Rocinha. As viagens me permitiram ver como as pessoas de fora nos vêem. E adquiri esse olhar de fora; o olhar do outro também é importante. Já vi muitos falando de mim sem saber que eu era um deles”. E segue, fazendo e acontecendo, dono de seus próprios jogos.


















Assisti ao show do Robson no Circo Voador e gostei muito. Tem presença de palco, carisma e acredito que seu filho deve ter ficado orgulhoso de ver o pai artista no palco.
Parabéns!!!!!!!!!!