A entrevista com Sistah C começou com uma pergunta com a qual a repórter esperava ter elementos para definir a página do site destinada à artista, mas não propriamente tomar boa parte do texto com a resposta. Mas o diálogo mudou tudo. “Sistah, como você define seu estilo de música?” “Música de favela”.
“Canto todos os ritmos criados na favela. Ragga, hip hop, funk, canto de tudo, até samba. A favela, para mim, é a linguagem – tudo que eu falo qualquer pessoa de qualquer comunidade do Brasil vai entender”, explica Juliane Rodrigues, 21 anos, a Sistah C. Moradora de favela e trabalhando na favela – uma, Parada de Lucas, outra, Vigário Geral –, Sistah diz que suas letras mostram o cotidiano das comunidades, como na música em que conta que quer fazer uma laje na casa do namorado.
Ainda Juliane, fez um curso oferecido pelo Afroreggae em Parada de Lucas, e se tornou produtora do programa de rádio; começou a se envolver com a música, fez novos contatos, e se tornou Sistah C. “Comecei a fazer mais rimas, e entraram pessoas no meu caminho que tinham consciência de que havia poucas meninas neste ramo. Hoje sou a única menina que faz shows, festas, que tem músicas prontas. E o retorno é muito grande”.
Sistah C hoje trabalha no estúdio do Afroreggae como monitora do curso de formação de novos DJs, e do primeiro show na Prainha, favela de Duque de Caxias, passou por Amarelinho, Gambá, Chapéu Mangueira, entre outras comunidades, abrindo espaço na Zona Sul e Zona Oeste, com um público diferente. “Se tiver uma pessoa interessada, eu já estou dando o meu recado”.
“E qual o seu recado?” “Tento passar uma mensagem de positividade, não sendo muito pessoal, porque quero que tanto a mulher quanto o homem se identifique com o que estou dizendo. O mundão está difícil, mas temos que ter perseverança. Falo de política, mas não de uma política chata. A minha música é para o povão que trabalhou a semana toda e só quer saber de se divertir ali”, conclui, com uma gargalhada do outro lado da linha.























A moça é um encanto da cara ao canto.