O não calar de Brou, Carlinhos da Paz, Mais Preto e DJ Bola não significa jogar palavras ao vento em rimas que se dissipam em minutos. O falar dos quatro supõe revoluções com seus versos, uma reflexão política para que tantos outros não se calem. O primeiro passo foi a difusão do hip hop em sua própria comunidade, o Complexo da Penha, com eventos e o primeiro programa de rap nacional do bairro, na rádio comunitária Princesinha FM.
O programa Hip Hop no Lajão – em homenagem à laje do Brou, na Vila Cruzeiro - serviu de conexão com o Baixada Rap, programa da Vila Operária, em Duque de Caxias. A parceria rendeu sete edições do Hip Hop Pela Paz, em comunidades como Morro da Fé, bloco Tupiniquim, Providência e Caju, onde se formaram novas conexões.
Musicalidade, levada firme, letras fortes e combativas ao sistema político e econômico imposto que oprime o trabalhador levaram Us Neguin a conhecer grupos de rap de forte expressão, coletivos de hip hop e movimentos sociais. O grupo é então convidado a fazer três viagens ao interior de São Paulo e a participar dos principais eventos do hip hop carioca, organizados em diversas comunidades (verdadeiros focos de resistência), como Cezarão, Antares, Vila Kennedy, Santa Marta, Arará, Quitanda e Lagartixa.
Os convites se estenderam ao calendário de luta e atos organizados pela plenária dos movimentos sociais do Rio de Janeiro, como os 40 anos da morte do estudante Edson Luiz, o ato em defesa da moradia no Canal do Anil, o Encontro Nacional da Juventude Campo e Cidade (MST) na UFF, e a Semana da Consciência Negra (Cinelândia). O grupo ainda participou dos projetos de cinema itinerante em Cavalcante, Zona Norte, e em Petrópolis, na comunidade do Alemão.
Humildade, respeito e atitude levam Us Neguin Q Não C Kala a ultrapassarem o mundo da música e da arte. Atualmente, o grupo desenvolve trabalhos junto ao MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados) e a Re.A.L Crew (Revolucionários Armados Liricamente), com eventos como o Linha Cultural e cursos de formação político, social e cultural, além de criação de bibliotecas comunitárias. O sonho por um mundo melhor permanece vivo.


























Cresci com a Black Music no sangue. Adoro o rap e o HipHop, mesmo que tenham trilhado caminhos diferentes. Agora me empolgo ouvindo este som experimental da galera do Us Neguin. Sou músico há 25 anos e gastei 17 anos dentro de estudios trabalhando. Adorei. Torço para que não sejam artistas de 1 música, mas que mantenham a qualidade das inspirações sempre crescente.
Sucesso galera!
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