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O mundo do trabalho ainda existe. Digo "ainda" porque há quem diga que hoje está tudo automatizado, tudo facilitado e que não há mais trabalhadores. Há milhões de trabalhadores que garantem o funcionamento da sociedade e que constroem tudo o que usamos no nosso dia-a-dia, desde o que comemos ao que vestimos, às...
Vito Giannotti
A reciclagem em Jardim Gramacho
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por Bárbara Rodrigues - 07/04/2011
Cachambi | RJ |
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Por Bárbara Rodrigues
"Filha, fotografa mesmo, porque aqui a situação de trabalho é crítica". Foi com esse grito de protesto que Fernando, um dos trabalhadores do depósito de sucatas, resolveu mostrar a sua indignação. O local que parece cenário de cinema é Jardim Gramacho, um bairro pertecente ao município de Duque de Caxias, onde a maioria dos moradores retira do lixo a céu aberto seu sustento e de sua família, ajudando a diminuir a poluição do meio ambiente. O trabalho é difícil e cansativo, até porque os recursos são escassos, sem nenhuma tecnologia para auxiliar no trabalho, sendo tudo realizado manualmente. A vergonha também é um outro fator de preocupação para as mulheres entre 25 e 30 anos que pedem para não serem fotografadas, pois não querem se expor naquela situação.
A reciclagem gera milhares de empregos, incluindo assim pessoas de baixa renda no trabalho formal. Percebemos isso claramente, ao contar o grande número de cooperativas que existe na famosa Avenida Tocantins. O lixo em Jardim Gramacho vale muito dinheiro, por isso muitas pessoas optam também pelo trabalho informal e moram no local em barracos improvisados de resto de madeira e até papelão para sempre estarem perto da movimentação e recolher material reciclável para revender às cooperativas.
Dentro das cooperativas de reciclagem, cada um tem sua função: homens pegam da montanha de lixo o material para separação, colocam dentro de uma caixa para mulheres separarem plástico, vidro, papel e metal. Todo material separado é vendido para as empresas que fazem o enfardamento, uma técnica que junta o material numa prensa, formando blocos de lixo, e após o processo são lavados para serem revendidos para as grandes empresas. Por dia, cada funcionário (30) enfarda 3.000 KG de material. O quilo é R$ 1,80.
Totalmente isolado dos centros urbanos, Jardim Gramacho fica imperceptível aos olhos da sociedade, sendo impossível imaginar a imensidão de lixo que lá se encontra e o que esses trabalhadores passam todos os dias. Só visitando o lugar para entender de fato toda essa realidade, onde todos nós, cidadãos, temos o dever de conhecer e exigir mudanças. Acabar com o aterro sanitário não é a solução, mas deve-se melhorar a estrutura e condições de trabalho, oferecendo aos catadores uma oportunidade de transformação.
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Comentários
Emocionante!!! Mais uma vez vc arrasou na matéria.
Como de costume, você sempre trazendo qualidade ao nosso site. Parabéns pela matéria, D+ Barbara!!! Nota 10 pra você!
Cenas muito fortes de uma realidade nossa. Famílias tiram o sustento do lixo. Mandando bem com sempre. Parabéns Bárbara.
Babi,
vídeo perfeito! Parabéns MESMO! Me emocionei.
Beijos!